Vimos esta semana um show de cobertura sobre o caso da garota que caiu ou teria sido jogada da janela de um prédio em São Paulo. Vimos os vídeos da garota em momentos da vida, de lazer. Vimos entradas ao vivo de repórteres esperando os resultados da investigação duvidosa e jornais repetindo informações diversas vezes. Com direito a pré-julgamento. O Aqui Agora inteiro de sexta-feira foi tomado pelo caso (sendo que não foi assim nos dias anteriores).
Mas há casos tão “interessantes” quanto o de Isabella que acontecem todo dia, crimes passionais, assassinatos, centenas, quase milhares em nosso Brasil. Porém vários não passam dos jornais de bairro.
A mídia se interessou por esse, por conta de ser uma criancinha “coitadinha”, de 5 “aninhos”, na visão deles, com a possibilidade cruel de assassinato.
Sem falar que é bonitinha e de classe média. Enquanto isso, o drama diário de famílias pobres, que chega ao mesmo nível, passa despercebido. Por exemplo, caso similar ao de Nardoni no Espírito Santo. Outra coisa, o caso desta ocorreu em São Paulo. Fosse no Acre, teria a mesma relevância?
Quando tem um caso desses, que gera uma euforia danada, contesto muito a cobertura da mídia. Tal como o do João Hélio (interessante para a mídia, pois o garoto foi arrastado 7 quilômetros) e o acidente do vôo 3054 da TAM (contexto justifica, mas parcialmente).
A família está aprovando em boa parte a cobertura, pois é uma chance de colocar a boca no trombone (não no sentido de aparecer por aparecer, sei disso) (muitos querem e não podem).
Ainda bem que a missa de sétimo dia foi comunitária, mas acabou se desenvolvendo um enfoque maior na intenção de Isabella. Tanto é que o padre chamou todos (o público inchou por conta desse caso) para uma oração especial. Tá, teve gente que morreu de causas naturais. Até aí, correto, mas será que ali não tinha um caso de baixa igualmente cruel, mas menos chamativo? Uma “simples” bala perdida…
Sabe por que a TV cobre cada seqüestro que tem? Porque não é todo dia que tem. E geralmente, é gente importante que é seqüestrada.
Aproveitem e acessem o depoimento de Guilherme Fiúza (autor de Meu Nome não é Johnny), sobre caso semelhante com ele: http://www.guilhermefiuza.com.br
(PS: A TV Cultura está cobrindo o caso? Como?)
(Alguns comentários aqui são assimilação de opinião de outras pessoas.)
Lucidez sempre!
(Edição: a polícia já diz ter certeza que foi o casal suspeito. Mas gostaria que os culpados fossem outros, causando remorso. Conclusões precipitadas levam a grandes erros.)
(Edição 2: é um caso onde “todos” estão errados. Prenda-se o casal (se eles forem realmente culpados, o que acreditam), mas prendam-se os homens da lei que foram levianos.)